Jeanne Barros Leal de Pontes Medeiros
Alexandre Cabral Craveiro
Este fascículo tem como objetivos:
• Apresentar noções sobre o clima do planeta chamando atenção para as mudanças
que vêm ocorrendo nos últimos anos.
• Mostrar a relação entre as ações humanas, as alterações climáticas no mundo e
suas consequências, especialmente nos países industrializados.
• Contextualizar as principais convenções, protocolos e agendas sobre o clima realizadas
nos últimos anos, voltadas aos problemas ambientais resultantes do aquecimento
global.
• Conceituar desenvolvimento sustentável, considerando sua importância para um
mundo mais justo e permanente.
Introdução
O clima está relacionado a diversos fenômenos atmosféricos bastante conhecidos como furacões, tempestades, frentes frias, ondas de calor. Todos esses fenômenos estão sempre associados a um conjunto de variações nas temperaturas, precipitações, ventos, umidade ou pressão atmosférica. Existem diversos tipos de clima nas diferentes regiões da Terra.
Para uma melhor compreensão dos fenômenos climáticos, parâmetros como temperatura média, precipitação pluvial, cobertura de neve, nível do mar, dentre outros, são analisados detalhadamente e as conclusões indicam que o clima de nosso planeta está efetivamente sendo alterado. As estimativas revelam que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8º C e 4º C e caso as previsões sejam confirmadas muitas espécies poderão entrar em extinção, e como consequência, podem acontecer grandes mudanças na dinâmica dos ecossistemas e na distribuição das espécies.
Os especialistas sabem que podem ocorrer variações climáticas não tão previsíveis assim, e que esse comportamento é resultante de um sistema complexo de fatores, dentre eles as atividades humanas. Um dos fatores responsáveis pelo processo de alteração climática e, ao mesmo tempo, consequência direta da atividade humana, o efeito estufa possui elevada importância e pode trazer consequências para o clima da Terra e o aquecimento global. Em função disso, o papel do CO2 e dos demais gases causadores do efeito estufa, bem como a origem dos mesmos,serão discutidos neste fascículo.
O termo efeito estufa se refere ao mecanismo atmosférico natural que mantém o planeta aquecido, com temperaturas ideais para a existência de vida na Terra.
Trata-se de um fenômeno atmosférico que acompanha a vida do planeta desde o início da sua existência. Esse efeito faz parte da dinâmica do planeta e, graças a ele, a Terra é mais quente do que o espaço, o que permite a existência de vida tal como a conhecemos. Se não houvesse esse efeito, os raios solares seriam refletidos para o espaço e o planeta perderia calor, e dessa forma, a Terra ficaria submetida a temperaturas inferiores a 10º C negativos.
Apesar de essencial para a vida na terra, o problema é que, quando ocorre em excesso, o efeito estufa provoca um aumento de temperatura acima do normal, o que acaba por ocasionar enormes desequilíbrios ambientais. Os principais gases causadores do efeito estufa são: o dióxido de carbono (CO2), o clorofluorcarbono (CFC), o metano (CH4), o óxido nítrico (HNO3) e o ozônio (O3). O aquecimento global, decorrente do efeito estufa, possui causas e consequências importantes para o nosso planeta e, consequentemente, uma série dos impactos
que podem ser previstos. Essa expressão tem sido utilizada para designar o aumento da temperatura terrestre observado nos últimos anos, entretanto as causas desse fenômeno ainda são bastante controversas.
Muitos fatores podem contribuir para o aumento da temperatura da Terra e
muito embora a maioria das explicações esteja relacionada às ações humanas, é importante
considerar que as alterações climáticas ocorrem devido a uma rede complexa de fatores. O aquecimento global pode trazer consequências graves a todos os que habitam o planeta, pois a concentração de calor na superfície terrestre pode influenciar fortemente o regime de chuvas e secas em várias partes do mundo.
Dentre os impactos previstos podemos destacar: eventos climáticos extremos como enchentes, tempestades, furacões e secas; elevação do nível do mar; desaparecimentos de ilhas e países; perda da cobertura de gelo nas regiões polares; alterações nas disponibilidades de água e nas características de ecossistemas; desertificação de áreas; mudanças na produção de alimentos e impactos na saúde e bem-estar da população humana.
Em função disso, foram realizados encontros e conferências para discutir o problema, como as diversas Conferências das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, com destaque para a COP 15 que juntamente com o protocolo de Kyoto estão entre
as principais iniciativas para discutir o problema e propor soluções eficazes. A definição de créditos de carbono, sua relação com a indústria e o mercado de carbono são abordados de forma sucinta e relacionada com o conceito de sustentabilidade, onde discutimos sua viabilidade e aplicações. O gás carbônico é um dos principais poluentes do ar que respiramos e é resultante da queima de combustível, do carvão e das queimadas nas florestas. O mercado de carbono se baseia em um critério chamado adicionalidade, que prevê que qualquer projeto econômico deverá absorver dióxido de carbono da atmosfera através de reflorestamentos, ou evitar o lançamento de gases do efeito estufa buscando a eficiência energética. Essa redução representa um crédito e a quantidade desses créditos, chamados créditos de carbono, varia de acordo com a quantidade de emissão de carbono reduzida, pela parte interessada. Finalmente, o conceito de desenvolvimento sustentável é apresentado e discutido, juntamente com seus principais aspectos dentro do contexto da educação ambiental. O papel da humanidade e a questão da preocupação e consciência ambiental são também destacados no texto.
Como conclusão, ressaltamos que o desenvolvimento sustentável prevê um modelo de desenvolvimento em um mundo que se sustenta, ou seja, que leva em conta não só o fator econômico, mas também a melhoria de vida das pessoas e o respeito ao meio ambiente. A ideia desse modelo é utilizar os recursos da natureza sem destruir, para que tudo que podemos usufruir hoje continue existindo para as gerações futuras.
1. O clima no planeta
Aquilo que chamamos clima, na verdade compreende um sistema bastante complexo que varia em função de processos naturais internos e externos. Como assim?! O termo clima está relacionado a diversos fenômenos atmosféricos bastante conhecidos como furacões, tempestades, frentes frias, ondas de calor, sempre associados a um conjunto de variações nas temperaturas, precipitações, ventos, umidade ou pressão atmosférica.
Existem diversos tipos climáticos nas diferentes regiões da Terra e isso é bastante evidente se compararmos o clima do Nordeste com o do Sul do Brasil, ou mesmo os climas típicos dos desertos com aqueles próprios das regiões polares.
Durante muito tempo os cientistas acreditaram que o clima de determinadas regiões era mais ou menos constante em função de características conhecidas, o que permitia a realização de previsões por meio de cálculos estatísticos. Hoje, sabe se que podem ocorrer variações climáticas não tão previsíveis assim, e que esse comportamento é resultante de um sistema complexo de fatores, dentre eles as atividades humanas.
São considerados fatores climáticos todos os elementos capazes de influenciar as características dos vários tipos de clima, como, por exemplo, a pressão atmosférica,
a latitude e a altitude, as correntes marítimas, o relevo e a vegetação, as massas de ar. O crescimento das cidades, a instalação de indústrias, a proximidade com o mar ou com extensas áreas continentais, a posição da Terra em relação a sua órbita,
são também elementos relacionados a alterações na temperatura e sua conseqüente influência na vida do planeta. Nos polos, por exemplo, há pouco sol no verão e no inverno as temperaturas são extremamente baixas, o que determina um ambiente gelado e coberto de neve. O clima temperado é caracterizado por suas quatro estações bem definidas, mas o
clima mediterrâneo se caracteriza por verões quentes e secos seguidos por inverno amenos e chuvosos. No caso do clima tropical com suas temperaturas elevadas o ano inteiro, os verões são bastante chuvosos e os invernos secos. Em contrapartida nos climas áridos e semiáridos observa-se a escassez de chuvas associada a elevadas diferenças de temperatura durante os dias e as noites. Imagine agora como condições climáticas tão diferentes influenciam a vida no
planeta. Será que existe alguma relação entre a organização e a distribuição das espécies e o clima terrestre? O Sistema Climático da Terra O clima terrestre é regulado, mais especificamente, por elementos e processos que envolvem o fluxo de radiação solar, a atmosfera e a superfície terrestre. São cinco os componentes principais:
Atmosfera: consiste em uma camada de ar que envolve o planeta, dividida em sete
faixas. A ciência que estuda o clima estuda as interações entre as duas camadas
mais próximas da Terra: a troposfera e a estratosfera, essenciais para as trocas de
energia entre as diferentes massas de ar e as nuvens e entre a hidrosfera, a biosfera
e a litosfera. Constitui o elemento fluido dessas trocas, com formação de ventos, tempestades, ciclones e furacões.
Hidrosfera: compreende as águas oceânicas e continentais.
Criosfera: corresponde às camadas de gelo e de neve na superfície da Terra.
Superfície terrestre e biosfera: superfície da litosfera (crosta terrestre) onde se encontram
os seres vivos e não vivos.
O quinto elemento importante na regulação do clima terrestre é a radiação solar, e todos os fatores mencionados se encontram influenciados por ela. As diversas atividades e as trocas gasosas características dos ecossistemas terrestres e oceânicos
têm forte interação com a atmosfera. Elas influenciam a formação de chuvas fundamentais
à produção da água potável existente na terra. Nesse contexto, o brilho do Sol é o maior responsável por regular os processos que determinam a existência da vida na Terra.
Você sabia que as primeiras civilizações não só seguiam as estrelas, como também acreditavam que o Sol, com o seu poder criador era um Deus poderoso, conhecido como ‘Filho de Deus’, luz do mundo, salvador da humanidade?
O clima se modifica sob a influência de três fatores centrais:
• Sua própria dinâmica interna.
• As forças externas naturais como erupções vulcânicas e variações solares.
• Os fatores relacionados às atividades humanas, como a queima de combustíveis
fósseis e o desmatamento.
Mas não esqueça que no sistema climático, todos esses elementos estão interrelacionados
e influenciam uns aos outros, como em uma teia de fios e quando se mexe em um deles, os demais são alterados.
Os tipos de clima
No nosso planeta existe uma grande diversidade de climas característicos de diferentes
regiões. Dentre os tipos de clima existentes, os principais são:
Tipos de clima Características
Equatorial Temperatura média 25º C, caracterizado por períodos quentes e
chuvosos durante quase todo o ano.
Tropical
Temperaturas variáveis. No inverno apresenta temperaturas médias
superiores a 20º C, com períodos de seca. No verão, as temperaturas
médias são superiores a 25º C, com período de chuvas abundantes.
Subtropical Temperaturas variáveis. No verão apresenta temperaturas entre 15 e 20º C e no inverno as temperaturas variam entre 0 e 10º C.
Desértico Temperaturas médias entre 20º C e 30º C, com clima seco Temperado
Apresenta estações do ano bem definidas, podendo ocorrer alteração em regiões próximas aos oceanos e mares, onde o inverno é menos rigoroso e o verão mais ameno.
Mediterrâneo Temperaturas médias superiores a 25º C, com verão quente e seco e inverno chuvoso.
Frio Temperaturas médias negativas, com inverno longo e rigoroso e
verão curto e ameno.
De Montanha
Temperatura variável: quanto maior a altitude menor é a temperatura. Mesmo em regiões tropicais, o clima de montanha é predominante nesse relevo.
Polar Temperaturas abaixo de zero. O inverno é longo, o verão muito seco e curto.
Semiárido Temperaturas elevadas associadas à baixa umidade atmosférica.
O que mudou no clima do mundo?
Para uma melhor compreensão das mudanças climáticas no planeta, várias observações
experimentais são realizadas por especialistas do Painel Intergovernamental
sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Para uma melhor compreensão dos fenômenos
climáticos, parâmetros como temperatura média, precipitação pluvial, cobertura de
neve, nível do mar, dentre outros, são analisados detalhadamente e as conclusões
indicam que o clima de nosso planeta está efetivamente sendo alterado.
Sabe-se, por exemplo, que a temperatura média global aumentou em relação
a 1850 e em algumas regiões como o Ártico, observa-se um aquecimento da ordem
de 2º C. Os estudos demonstram ainda que nos últimos 14 anos, foram observados
os 12 anos mais quentes da história.
Como tudo está interligado na natureza, o aumento de temperatura tem provocado
a elevação do nível do mar, o derretimento de geleiras da Antártica, do Ártico e da Groenlândia e a diminuição significativa da cobertura de neve no hemisfério Norte.
O gráfico abaixo demonstra algumas dessas alterações climáticas, no período
de 1850 a 2005, quando se registra um aumento de 0,76º C na temperatura média
terrestre; uma elevação de 160 mm no nível médio do mar e uma redução de 1,8
milhão de km² na cobertura de neve no hemisfério Norte.
Fonte: Figura extraída do paper Mudanças Climáticas Globais; Conceitos e Implicações, produzido pelo físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo.
Confirmando ainda mais o quadro de mudanças no clima global, cientistas identificaram
elevações nos níveis de vapor de água na atmosfera, na precipitação pluvial
em regiões temperadas, na intensidade de furacões e na frequência e intensidade de
períodos de seca no continente africano e de ondas de calor em regiões temperadas.
Alguns estudos atentam também para a responsabilidade da sociedade, uma vez que os riscos relacionados às alterações climáticas são o resultado de processos físicos, mas também consequência de ações e decisões humanas interligadas pelo mundo. Quando pessoas exageram no uso de condicionadores de ar ou dirigem seus carros solitariamente, essas ações têm consequências que afetam regiões distantes como comunidades rurais, áreas de risco, através de problemas ambientais que resultam em muitos prejuízos econômicos e sociais.
O IPCC estima que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8º C e 4º C e caso as previsões sejam confirmadas muitas espécies poderão entrar em extinção, e como consequência, pode vir a acontecer grandes mudanças na dinâmica dos ecossistemas e na distribuição das espécies. Consequências muito negativas para a vida como a diminuição da oferta de água e alimento, a acidificação dos oceanos, são exemplos de impactos negativos
para espécies que habitam os mais variados ambientes do globo. O cultivo de alimentos
também poderá ser afetado o que aumentará o risco de fome para muitas populações e há ainda o risco na distribuição e produção de determinadas espécies de peixes, com efeitos negativos para a aquicultura e os criatórios de peixes.
As mudanças climáticas também podem afetar a saúde das pessoas e conforme
Organização Mundial de Saúde (OMS), estudos demonstram que a exposição às mudanças climáticas traz consequências à saúde de milhões de pessoas, principalmente às populações com baixa capacidade de adaptação.
Dentre os problemas estão o aumento da subnutrição e de disfunções consequentes, com implicações no crescimento e desenvolvimento infantil; a elevação da taxa de mortalidade; o aparecimento de problemas de pele em virtude do calor; o surgimento de doenças como malária, cólera e tuberculose, diarreia; o aumento da frequência de doenças cardiorrespiratórias devido às concentrações mais elevadas de ozônio no nível do solo; alterações na distribuição espacial de vetores de doenças infecciosas e problemas relacionados à saúde mental.
É importante ressaltar que os impactos na saúde variam de região para região e em função do tempo, à medida que as temperaturas continuarem subindo.
2. Esfeito Estufa
A designação efeito estufa se refere ao mecanismo atmosférico natural que mantém o planeta aquecido, com temperaturas ideais para a existência de vida na Terra. Embora esse assunto esteja bastante presente nas discussões científicas atuais, trata-se de um fenômeno atmosférico que acompanha a vida do planeta desde o início da sua existência. Atualmente, costuma-se associar o efeito estufa ao aquecimento da Terra devido à poluição do ar pela concentração de
gás carbônico na atmosfera proveniente da queima exagerada de combustíveis fósseis.
Como funciona o efeito estufa
Sabemos que a Terra é iluminada pelo Sol e que a vida existente aqui depende da energia luminosa irradiada por ele. Quando os raios solares atingem a superfície terrestre parte deles é absorvida pelas plantas para a realização da fotossíntese e a outra parte é refletida pela superfície terrestre em direção ao espaço. Porém devido à existência de uma camada de gases
atmosféricos, grande parte do calor fica retida e não consegue sair.
O efeito estufa faz parte da dinâmica do planeta e, graças a ele, a Terra é mais quente do que o espaço, atingindo temperaturas ideais para a existência de vida.
Se não houvesse essa proteção, os raios solares seriam refletidos para o espaço, o planeta perderia calor, e dessa forma, a Terra ficaria submetida a temperaturas inferiores a 10º C negativos.
Planetas como Vênus e Marte não possuem esse mecanismo e por isso podem atingir diferenças extremas onde as temperaturas são elevadas durante o dia, acima de 200º C, e muito reduzidas durante a noite, chegando a -100º C. O processo de aquecimento conhecido como efeito estufa ocorre quando parte da radiação solar refletida pela superfície terrestre é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera - ozônio, oxigênio e os componentes minoritários dióxido de carbono (CO2) e gás metano (CH4) e outros. É esse mecanismo que possibilita que o calor que a Terra recebe durante o dia mantenha a temperatura elevada
mesmo durante a noite. Funciona da seguinte forma: parte do calor irradiado pelo Sol é devolvida ao
espaço, porém, uma porção desse calor fica presa na atmosfera graças aos gases
estufa (GEE) e é responsável por manter o planeta aquecido. O problema é que o
excesso dos chamados gases estufa intensifica esse fenômeno e faz com que mais
calor que o necessário seja retido na superfície do planeta provocando o aquecimento
global. Para que possamos compreender melhor o processo descrito observe atentamente
as figuras a seguir.
Em uma estufa de vidro cuja finalidade é manter o ambiente interno aquecido,
o mecanismo é muito simples: a luz solar atravessa o vidro e é absorvida. O vidro reflete
grande parte dessa radiação, mas uma quantidade penetra no interior da estufa. Pelas leis da física, todo corpo que absorve energia radiante também a irradia de volta e isso acaba levando ao resfriamento bastante rápido do objeto irradiado. Porém, nessa situação quando as ondas de calor penetram na estufa e são irradiadas de volta encontram o vidro que as reflete para dentro novamente, aquecendo o ambiente interno. Se isso não acontecesse, o interior esfriaria.
Se imaginarmos que a Terra é uma enorme estufa iremos compreender que as ondas de calor irradiadas pela superfície terrestre encontram os gases de efeito estufa, os quais assim como o vidro, funcionam como uma barreira que as refletem de volta, aquecendo a atmosfera.
Apesar de muito comentado como sendo um enorme problema ambiental o efeito estufa é necessário para a existência da vida – o problema é que, quando ocorre em excesso, provoca um aumento de temperatura acima do normal, o que acaba por ocasionar enormes desequilíbrios ambientais. Hoje em dia, sabe-se que não somente os gases estufa provocam esse efeito. A fuligem da fumaça também contribui para intensificar esse mecanismo. A fuligem proveniente da queima de combustíveis provoca o sombreamento da superfície e
esquenta a atmosfera, além disso, modifica a formação das nuvens, o que muda o equilíbrio térmico do planeta.
Quais os gases responsáveis pelo efeito estufa? O quadro a seguir apresenta os principais gases estufa e suas caracteristicas. Gases estufa Características Dióxido de Carbono (CO2)
Proveniente da combustão de combustíveis fósseis como petróleo, gás natural, carvão, desmatamento é responsável por cerca de 64% do efeito estufa. Diariamente são enviados cerca de 6 milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera e seu tempo de permanência na atmosfera é de 50 a 200 anos. . Clorofluorcarbono (CFC) Utilizados em sprays, motores de aviões, plásticos e solventes utilizados na indústria eletrônica. Responsável direto pela destruição da camada de ozônio, além de contribuir com cerca de 10% do efeito estufa. O
tempo de permanência na atmosfera é de 50 a 1700 anos. Metano (CH4) Produzido nos campos de arroz, liberado pelo metabolismo do gado e pelo lixo. É responsável por quase 20% do efeito estufa. Tem um tempo de duração de 15 anos. Ácido nítrico (HNO3) Proveniente da combustão da madeira e de combustíveis fósseis, pela decomposição de fertilizantes químicos e por micróbios, é responsável por cerca de 6% do efeito estufa. Ozônio (O3) Origina-se da poluição dos solos provocada pelas fábricas, refinarias de petróleo e veículos automóveis.
A concentração de CO2 na atmosfera começou a aumentar a partir da revolução industrial devido à necessidade de queimar grandes quantidades de carvão mineral e petróleo como fontes de energia para a produção de produtos industrializados.
A partir desse momento houve um aumento de aproximadamente 30% do CO2 atmosférico, o que implica em mais calor retido pela superfície terrestre e, consequentemente, a elevação da temperatura do planeta. O gráfico abaixo demonstra que a concentração de CO2 na atmosfera até 2100 pode alcançar valores que variam entre 540 a 970 ppm – entre 90% e 250% acima do nível existente em 1750. Essa é uma previsão preocupante para os habitantes do planeta, pois se os níveis de CO2 não forem mantidos entre 350 e 400 ppm, haverá um aumento da temperatura global acima de 2° C, o que irá determinar mudanças bastante perigosas no clima.
Fonte: Imagem extraída da publicação Perguntas e Respostas sobre Aquecimento Global, elaborada pelo IPAN em parceria com The Woods Hole Research Center O carbono é um elemento básico na composição dos organismos, e por isso, indispensável para a vida no planeta. Ele é estocado na atmosfera, nos oceanos, nos solos, nas rochas sedimentares e nos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural. O carbono não permanece fixo em nenhum desses estoques e várias interações acontecem para que o carbono seja transferido de um depósito para outro.
Existem diversos organismos nos ecossistemas terrestres e aquáticos, que absorvem
o carbono encontrado na atmosfera na forma de dióxido de carbono (CO2),
funcionando como filtros que retiram da atmosfera mais carbono do que emitem.
Existem as queimadas e desmatamentos, resultantes do mau uso da terra e são essas atividades que acabam por alterar os fluxos naturais entre os estoques de carbono e têm um papel fundamental na mudança do clima do planeta.
Estima-se que os níveis de CO2 no Brasil estão relacionados à destruição das florestas, pois 3/4 das emissões de carbono vem de atividades de uso do solo, tais como o desmatamento e as queimadas. Ao contrário, as emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis são menores em relação a outros países, pois o Brasil utiliza fontes de energia renováveis como a energia hidrelétrica. Somente devido ao desmatamento da região Amazônica, nosso País emite por ano, cerca de 200 milhões de toneladas de carbono, o que coloca o Brasil entre os cinco países mais poluidores do mundo, representando aproximadamente de 5% das emissões globais. Entre as fontes de outros gases de efeito estufa podemos citar os fertilizantes utilizados na agricultura, que liberam óxido nitroso (N2O), a produção e o transporte de gás e petróleo, os arrozais, os processos digestivos de ruminantes, que emitem metano (CH4), e os condicionadores de ar e refrigeradores que emitem halocarbonos. Os cenários de emissões são uma representação do desenvolvimento futuro das emissões de substâncias que potencialmente são capazes de interferir na radiação solar – por exemplo, gases de efeito estufa e aerossóis. Essas representações são baseadas em um conjunto coerente e internamente consistente de hipóteses relativas aos diversos agentes antrópicos (tais como demografia, desenvolvimento socioeconômico, mudança tecnológica) e suas interligações. Cenários de concentração de emissões são utilizados como subsidios para modelos climáticos a fim de
viabilizar para fazer projeções sobre possíveis aumentos das mudanças em curso.
3. Aquecimento Global Provavelmente você já deve ter percebido que o clima mundial anda meio estranho e muito se tem discutido na mídia sobre enchentes ou períodos de seca nos mais
variados locais do planeta. Somente nos últimos dez anos, cerca de 200 milhões de pessoas por ano vivenciaram desastres relacionados a fenômenos naturais associados ao clima. Muitos fatores podem contribuir para o aumento da temperatura nas diversas regiões da Terra. Muito
embora a maioria das explicações sobre os problemas ambientais estejam relacionadas às ações humanas, é importante considerar que todas as alterações climáticas
ocorrem devido a uma rede de diversos fatores. O termo aquecimento global tem sido utilizado para designar o aumento da temperatura terrestre observado nos últimos anos, entretanto as causas desse fenômeno ainda são bastante controversas. Diversos cientistas têm tentado explicar as mudanças climáticas ocorridas, e dentre as causas mais discutidas, encontra-se a influência das ações humanas relacionadas ao aumento da emissão de gases poluentes para a atmosfera, principalmente, daqueles provenientes da queima de combustíveis fósseis. Mais especificamente podemos dizer que o aquecimento global se caracteriza pelo aumento da temperatura média dos oceanos, assim como a temperatura do ar da superfície terrestre. Estudos indicam que essa situação irá se manter por todo o século XXI. Um dos maiores problemas relacionados ao aquecimento global é o derretimento das placas de gelo existentes nos polos. Muito embora esse processo já venha acontecendo lentamente há milhares de anos, tem sido intensificado pelas ações humanas que potencializam o efeito estufa, intensificam o aquecimento global e tornam o final dessa estória bastante imprevisível.
O aquecimento global pode trazer consequências graves a todos os que habitam o planeta, sejam vegetais ou animais microscópicos ou de grande porte, pois a concentração de calor na superfície terrestre pode influenciar fortemente o regime de chuvas e secas em várias partes do planeta. Quando a temperatura da terra se modifica mudanças ambientais podem ocorrer, como por exemplo, a desertificação de áreas que antes eram florestas, a inundação de plantações, a destruição de cidades em virtude de enchentes. Como resultado disso, os animais tendem a migrar em busca de comida e abrigo; enormes quantidades de recursos financeiros para atender as necessidades mais básicas de seres humanos em situação de desespero; aumento do risco de extinção de várias espécies animais e vegetais, dentre várias outras consequências. É possível também constatar o aumento da temperatura em todo o planeta
através de dados que revelam alterações no clima, responsáveis por mais de 100 mil mortes a cada ano em todo o mundo. Só no ano passado, uma onda de calor que atingiu a Europa no verão matou pelo menos 20 mil pessoas. Os países tropicais e pobres são os mais vulneráveis a tais efeitos. As variações climáticas encontram-se relacionadas a causas naturais ou as atividades humanas. Mas lembre-se: essa divisão tem objetivo didático, uma vez que os humanos também são parte da natureza, e, portanto, suas ações podem ser consideradas naturais. Dentre as causas naturais podemos citar: variações na intensidade dos raios solares; mudanças nas correntes marítimas; alteração na posição da Terra com relação ao seu eixo de rotação; emissões vulcânicas, dentre várias outras. As causas oriundas de atividades humanas, são principalmente, os elementos poluentes e a emissão de gases que afetam a camada de ozônio ou que provocam o efeito estufa. Falta muito para que os cientistas consigam dimensionar com certeza, a influência da natureza e das atividades humanas para as mudanças climáticas observadas, pois somente a partir da compreensão desses fatores é que podem ser definidas ações, prioridades e políticas públicas de promoção à minimização dos fatores que
geram o aquecimento global. Impactos previstos As alterações climáticas resultantes do aumento da temperatura no planeta trarão alguns impactos como:
1. Aumento na incidência da ocorrência de eventos climáticos extremos como enchentes,
tempestades, furacões e secas.
2. Elevação do nível do mar entre 18 e 59cm até o final do século XXI.
3. Desaparecimento de muitas ilhas e países inteiros, com fortes danos em várias áreas costeiras, além de causar enchentes e erosão.
4. Perda da cobertura de gelo nas regiões polares.
5. Alterações na disponibilidade de água, uma vez que haverá mudanças no regime
das chuvas.
6. Modificações nas características dos ecossistemas, colocando em risco diversas
espécies, o que trará consequências para a biodiversidade do planeta.
7. Desertificação de áreas em virtude das atividades humanas e alterações climáticas.
8. Mudanças na produção de alimentos, pois a vocação agrícola de diversas regiões
poderá ser modificada em virtude do aquecimento.
9. Impactos na saúde e bem-estar da população humana.
4. COP 15
Para discutir os assuntos relacionados às mudanças climáticas existem desde 1995, conferências
nas quais representantes dos países participantes da Convenção - Quadro
das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas se reúnem anualmente para tomar decisões,
no âmbito da ONU, sobre os problemas relacionados ao aquecimento global.
O último encontro foi 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do
Clima, conhecida como COP15, realizada no mês de dezembro de 2009 em Copenhague,
na Dinamarca. Esta conferência representou um momento importante para
a prevenção de desastres climáticos, pois reuniu líderes de todo o mundo e pretendia
definir o comportamento dos países para a diminuição do aquecimento global.
Apesar de não ter atingido o objetivo de estabelecer novas metas ou compromissos
de longo prazo para a redução das emissões de gases de efeito estufa,
a COP15 foi muito importante, pois abriu portas para alguns países participantes
acertarem suas estratégias. Um dos resultados mais relevantes foi que pela primeira
vez as grandes economias emergentes começaram a assumir responsabilidades para
limitar o aumento de gases de efeito estufa.
Apesar de pontos positivos, o encontro também foi palco de discordâncias representadas
pela acusação por parte da China e de outros países em desenvolvimento de que os países ricos se recusaram a realizar cortes significativos nas emissões de gases causadores do efeito estufa, e não ofereceram ajuda a economias menores para lutar contra as mudanças climáticas.
Segundo especialistas, para atingir os objetivos traçados, os países precisam investir em eficiência energética, buscando soluções que reduzam o consumo de energia; substituir combustíveis fósseis por fontes energéticas alternativas; e investir em novas tecnologias. Existem estimativas que serão necessários aproximadamente US$30 bilhões, no ano de 2010, para que os compromissos firmados pelos países em desenvolvimento na redução da emissão de gases sejam atingidos. Até 2020, este valor deverá atingir US$120 bilhões.
Após o evento a cúpula terminou sem um acordo com valor legal ou obrigatório, com os países participantes apenas reconhecendo a necessidade de que o aumento na temperatura global não ultrapasse os 2º C, mas não foi capaz de estabelecer valores para a redução na emissão dos gases que provocam o efeito estufa. Embora as metas não tenham sido estabelecidas legalmente, sabe-se que para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, faz-se necessário adotar alterações profundas no modelo de desenvolvimento econômico e social, através de medidas que possibilitem a estabilização da concentração global de carbono até 2017, quando os níveis deverão começar diminuir para que possam chegar a ser 80% menores
que na década de 1990. Atualmente, 192 países participam das negociações e a COP16 acontecerá no México, entre 29 de novembro e 10 de dezembro de 2010, visando incrementar
Acordo de Copenhague, que busca limitar o aumento das temperaturas a não mais que 2º C em relação às registradas nos tempos pré-industriais. Espera-se que esse novo encontro represente uma possibilidade mais concreta para mudar o cenário atual. Outras COPs
O quadro a seguir descreve sucintamente todas as Conferências das Nações Unidas
sobre Mudança do Clima ocorridas desde os anos 1990.
COP 1 Ocorrida em 1995, em Berlim, Alemanha, iniciou o processo de negociação de metas e prazos específicos para a redução de emissões de gases de efeito estufa pelos países desenvolvidos, quando houve a sugestão para a elaboração de um Protocolo.
COP 2 Aconteceu no ano de 1996, em Genebra, Suíça e resultou na criação de obrigações legais de metas de redução, traduzidas na Declaração de Genebra.
COP 3 Ocorreu em 1997, na cidade de Kyoto, Japão, e teve como resultado o Protocolo de Kyoto, que estabelece metas de redução de gases de efeito estufa para os principais poluidores.
COP 4 Aconteceu em 1998, em Buenos Aires, Argentina. Para ratificar o Protocolo de Kyoto é elaborado o Plano de Ação de Buenos Aires.
COP 5 Realizada 1999, em Bonn, na Alemanha, deu continuidade aos trabalhos iniciados em Buenos Aires.
COP 6 Ocorrida em 2000, na cidade de Haia, Holanda, as negociações sobre os assuntos relacionados a sumidouros de carbono e à mudança do uso da terra são suspensas pela falta de acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos. É então realizada a COP 6 ½, ou segunda fase da COP 6, também em Bonn, Alemanha.
COP 7 Aconteceu em Marrakech, Marrocos, no ano 2001 e consistiu de dois encontros retomando as negociações. Os Estados Unidos abandonam o processo, alegando que os custos para a redução de emissões seriam muito elevados para a economia americana e não foi possível estabelecer metas para os países em desenvolvimento.
COP 8 Ocorrida em 2002, na cidade de Nova Delhi, Índia, inicia a discussão sobre o estabelecimento de metas para uso de fontes renováveis na matriz energética dos países.
COP 9 Realizada em 2003 em Milão, Itália, discute a questão da regulamentação
de sumidouros de carbono no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).
COP 10 Realizada em 2004 em Buenos Aires, Argentina, aprova as regras para a implementação do Protocolo de Kyoto e as questões quanto à regulamentação de projetos MDL entram em pauta, assim como a necessidade de metas mais rigorosas.
COP 11 Ocorrida em 2005 em Montreal, Canadá, representa a primeira conferência realizada após o Protocolo de Kyoto. Nesse encontro se discute pela primeira vez a questão das emissões provenientes do desmatamento das florestas tropicais e as mudanças no uso da terra finalmente é aceita como pauta para as discussões.
COP 12 Se deu em 2006 em Nairóbi, África, reunindo representantes de 189 nações, que assumem o compromisso de revisar o Protocolo de Kyoto. São estipuladas regras para o financiamento de projetos de adaptação em países pobres. O Brasil propõe oficialmente a criação de mecanismos para a redução de emissões de gases de efeito estufa oriundas do desmatamento em países em desenvolvimento.
COP 13 Ocorrida em 2007 em Bali na Indonésia foi uma conferência importante pois definiu o Plano de Ação de Bali, que estabelece eixos para as negociações sobre mudanças climáticas, assim como um prazo, dezembro de 2009, para elaborar os próximos passos após o final do primeiro período do Protocolo de Kyoto (2012). Aqui também a questão que trata das florestas foi incluída pela primeira vez no texto da decisão final de uma conferência.
COP 14 Realizada em 2008 em Poznan na Polônia, Brasil, China, Índia, México e África do Sul, países em desenvolvimento, demonstram interesse em assumir compromissos na redução das emissões de carbono, mas não estabelecem números.
6. Protocolo de Kyoto
O Protocolo de Kyoto pode ser considerado uma das mais importantes iniciativas para reverter os danos ambientais provocados pelo aquecimento global. Na verdade, trata-se de um documento que orienta os países industrializados com relação a redução da emissão de gases, para que seja possível um planeta digno para as gerações futuras. O Protocolo de Kyoto é consequência da Conferência das Nações Unidas sobreMeio Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida como ECO-92, que ocor50 reu no Rio de Janeiro, e que tinha por objetivo a estabilização das concentrações de gases estufa na atmosfera. Com relação à ECO-92, poucas mudanças foram observadas quanto ao comportamento dos países que participaram do acordo, uma vez que continuaram a poluir o ambiente com suas atividades sempre voltadas ao
desenvolvimento econômico desenfreado. Sendo assim, em 1997, novo encontro reuniu representantes de 159 países, na terceira Conferência das Partes (COP 3), em Kyoto, no Japão, e resultou na aprovação de um documento conhecido com Protocolo de Kyoto que deveria ser
aprovado e ratificado pelas autoridades locais. O problema é que a diminuição da emissão de gases não é coisa fácil de conseguir e mexe (e muito) com a economia dos países. É preciso influir na agricultura, na queima de combustíveis e, ainda, é necessário que os países reformulem sua política industrial, buscando formas limpas de produção de energia.
O conteúdo do documento gerou em pouco tempo, reações bastante adversas de alguns países. A mais forte veio justamente do maior poluidor, os Estados Unidos (EUA), que respondem por 25% do total de emissão de carbono no mundo. Depois de ter anunciado que não iria participar dos compromissos definidos pelo Protocolo de Kyoto, o presidente americano viu-se em uma situação bastante desconfortável, cercado de críticas que o tachavam de vilão da natureza. Para amenizar essa situação, os EUA lançaram um programa alternativo de redução
de emissão de gases poluentes. O programa americano se baseia no controle voluntário por parte da indústria, com a motivação através de incentivos fiscais. Essa decisão irritou os ambientalistas e desagradou aos outros líderes de nações desenvolvidas que aderiram ao Protocolo de Kyoto. É importante destacar que para que o Protocolo entrasse em vigor, seria necessário que fosse ratificado por 55 países que representassem, juntos, pelo menos 55%
das emissões de gases. Junto com os EUA, reagiram ao acordo o Canadá e a Austrália.
Mas do que trata esse documento?
Segundo esse Protocolo, os países industrializados assumem o compromisso de reduzir
as emissões de gases estufa no período de 2008 a 2012, em pelo menos 5% em relação aos níveis de 1990. Tal atitude representa uma mudança representativa das emissões de gases iniciadas pela Revolução Industrial. Após a COP3, o Protocolo foi aberto para assinaturas em 11 de dezembro de 1997 e ratificado em 15 de março de 1999. Mas como foi comentado anteriormente, seria necessário que 55% dos países desenvolvidos aderissem ao acordo, e dessa forma, somente entrou em vigor em 2005, depois que a Rússia também aceitou participar. No momento que o Protocolo de Kyoto entrou em vigor em 16 de fevereiro de
2005 passou a ser um compromisso legal vinculando todas as partes envolvidas, no caso dos países signatários, e o não cumprimento de alguma parte estará sujeita a penalidades dentro do Protocolo. Segundo o documento, fica estabelecido um calendário pelo qual os países participantes assumem a obrigação de reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa em, pelo menos, 5,2% em relação aos níveis de 1990, entre 2008 e 2012, denominado de primeiro período de compromisso. Mas as metas previstas pelo Protocolo não sâo iguais para todos os países, pois estabelecem níveis diferenciados para 38 países que mais poluem, como por exemplo, 8% para a União Europeia (UE), 7% para os Estados Unidos (EUA) e 6% para o
Japão, como demonstra o gráfico. Já países como o Brasil, o México, a Argentina e Índia não precisam atingir metas de redução, pelo menos momentaneamente, uma vez que se encontram em processo de desenvolvimento. Quadro Geral de Emissões Mundiais de CO2
Dentre as ações previstas para a redução das emissões de gases estão:
• A reforma para o aumento da eficiência enérgética em diversos setores da economia.
• A limitação e/ou redução de emissões de metano por meio de sua recuperação e utilização no tratamento de resíduos, bem como na produção, no transporte e na distribuição de energia.
• O incentivo à pesquisas relacinadas a tecnologias inovadoras e ambientalmente seguras.
• A promoção do uso de fontes renováveis de energia.
• A diminuição gradual ou eliminação de incentivos fiscais, isenções tributárias e tarifárias,
e também de subsídios para todos os setores emissores de gases de efeito
estufa que sejam contrários ao objetivo do Protocolo.
• O estabelecimeto de um limite para as emissões de metano no gerenciamento de
resíduos e dos sistemas energéticos.
• O incentivo às práticas sustentáveis para a utilização das florestas e a proteção de
matas e outros reservatórios de carbono.
• Promoção de formas sustentáveis de manejo da terra.
Caso o Protocolo de Kyoto seja implementado com sucesso, estima-se que uma redução da temperatura entre 1,4° C e 5,8° C, ocorra até 2100. Entretanto, para que isso aconteça muitas negociações após 2012 deverão acontecer, pois cientistas afirmam que uma redução de 5% em relação aos níveis de 1990 é insuficiente para a mitigação do aquecimento global.
A maioria dos pesquisadores que estuda o clima concorda que as metas estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto são insuficientes para conter o problema. É praticamente um consenso entre muitos especialistas que seria necessário uma redução de 60% e não 5% como estabelece o Protocolo para evitar as piores consequências das mudanças climáticas.
Já os defensores do acordo dizem que o tratado foi responsável pelo estabelecimento de leis, em diversos países, voltadas a redução da emissão de gases e que, se não fosse pelo acordo firmado em Kyoto, as dificuldades para implementar medidas ecológicas seriam ainda maiores. E como fica o Brasil nessa estória? O Protocolo de Kyoto considera que os países em desenvolvimento, como o Brasil, a China e a Índia, são os que menos contribuem para as mudanças climáticas, mas que apesar disso, tendem a sofrer as maiores consequências. Dessa forma, assim como outros países em desenvolvimento que aderiram ao Protocolo, o Brasil não teve que se comprometer com metas específicas, mas precisa manter a ONU informada a respeito de suas emissões, buscando sempre o desenvolvimento de estratégias que busquem o desenvolvimento econômico responsável. Créditos de Carbono O carbono é o elemento químico característico dos compostos orgânicos e só faz partes deles, pois passa continuamente da natureza aos corpos orgânicos, e dos seres vivos à natureza. É encontrado na atmosfera na forma de gás, oriundo da respiração dos seres vivos, circulando em um processo conhecido como “ciclo do carbono”. Origem e destino do carbono resultante das atividades dos seres vivos Esse ciclo consiste, basicamente, na fixação dos átomos contidos nas moléculas simples de gás carbônico presentes na atmosfera (CO2), em substâncias mais elaboradas, como carboidratos e proteínas, através da fotossíntese realizada pelos seres autotróficos. Como resultado do processo fotossintético, uma parte dos compostos orgânicos
formados é aproveitada para o metabolismo dos vegetais e o restante serve como fonte de nutrientes para os herbívoros, onívoros, carnívoros, até os decompositores responsáveis pela degradação ou reincorporarão da matéria orgânica à natureza. Um esquema simplificado do ciclo do carbono pode ser resumido assim: Agora feche os olhos e imagine quantos seres vivos estão à sua volta, comendo, fazendo fotossíntese, morrendo, sendo decompostos, e perceba que esse é um processo muito complexo e dinâmico. Lembre-se também que a devolução de carbono ocorre de maneira contínua durante a vida de todos os seres vivos através da respiração. Dentre os seres vivos, que comem, respiram e morrem, estamos nós, que utilizamos combustíveis como o carvão mineral e o petróleo, para a realização de diversas atividades do nosso dia a dia e que colaboram consideravelmente com a emissão de gás carbônico no ambiente. Pode parecer, a primeira vista, que o gás carbônico está presente apenas na atmosfera, mas os oceanos também são grandes reservatórios desse gás e estão em
constante troca com a atmosfera liberando e absorvendo CO2. Durante muitos anos os níveis de CO2 permaneceram estáveis, mas com a Revolução Industrial, iniciada no século XIX, novos hábitos provocaram mudanças no ciclo do carbono, quando a industrialização determinou o aumento nos níveis de consumo e no lançamento de dióxido de carbono na atmosfera. O gás carbônico é um dos principais poluentes do ar que respiramos resultante
da queima de combustível, do carvão e das queimadas nas florestas.
Podemos considerar que indústrias, veículos automotores e usinas de eletricidade que utilizam combustível são, portanto, os grandes poluidores da atmosfera, pois além de gerar gás carbônico, seus processos produtivos consomem oxigênio, piorando ainda mais a situação. Mas não podemos esquecer que os animais e as plantas também expelem gás carbônico através da respiração. O mercado do carbono Uma vez compreendidos o efeito estufa e o Protocolo de Kyoto, podemos entender melhor a ideia de se criar um sistema que tem como principal objetivo compensar a emissão de gases que produzem o efeito estufa. Este sistema foi concebido através de um programa que desperta nos países a vontade política de rever os seus processos econômicos para a redução do aquecimento global. Na verdade o mercado de carbono se baseia em um critério chamado adicionalidade, que prevê que qualquer projeto econômico deverá absorver dióxido de carbono da atmosfera através de reflorestamentos ou evitar o lançamento de gases do efeito estufa buscando a eficiência energética. Para esse fim foi criado um certificado, emitido por agências de proteção ambiental, que atesta a redução na emissão de gases do efeito estufa. Essa redução representa um crédito e a quantidade desses créditos, chamados créditos de carbono, varia de acordo com a quantidade de emissão de carbono reduzida pela parte interssada. Por convenção uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivale a um crédito de carbono. Outros gases que contribuem para o efeito estufa também podem ser convertidos em créditos de carbono, e para isso se utiliza o conceito de carbono equivalente. O certificado referente aos créditos de carbono possui valor no mercado financeiro internacional, onde a redução de gases do efeito estufa passa a ter um valor monetário para conter a poluição. Muitas ações podem ser realizadas para a obtenção desse certificado, como o reflorestamento de áreas degradadas, a redução das emissões de gases resultantes da queima de combustíveis fósseis, a utilização de energia limpa e renovável, como eólica, solar, biomassa, o aproveitamento para a produção de energia, das emissões que seriam lançadas na atmosfera, como o metano proveniente de aterros sanitários, dentre outras práticas. Quando os países ou suas indústrias ultrapassam as metas estabelecidas em Kyoto,
precisam comprar certificados de crédito de carbono disponíveis no mercado. Da mesma forma, quando conseguem reduzir suas emissões podem negociar o excedente nas Bolsas de Valores com países ou indústrias que estejam precisando de créditos. Algumas pessoas criticam esses certificados, pois consideram que eles estimulam países e indústrias a poluir, mas a intenção para a criação desse certificado é organizar critérios para neutralizar a emissão de gases poluentes. Além disso, o programa tem como principal objetivo a diminuição das emissões por parte de países desenvolvidos, considerados mais poluidores, e o estímulo aos países em desenvolvimento para que cuidem melhor de suas florestas, mesmo que por estímulo financeiro. Mesmo com a possibilidade de lucrar com os créditos de carbono, algumas empresas continuam a destruir as florestas, talvez por desconhecimento e ignorância,
ou por não acreditarem que vale a pena investir em um mundo melhor, esquecendo que as consequências poderão ser bastante amargas para para todos. Infelizmente em muitos países os governos são omissos e continuam permitindo ações que ignoram todos os sinais de perigo dados pela natureza contra a vida no planeta. Pelo menos duas atitudes deveriam ser prontamente adotadas por todos os governos do mundo: a diminuição em percentuais das emissões de gases poluentes provenientes das indústrias e dos transportes, e ações eficazes e enérgicas contra o desmatamento descontrolado das florestas.
Por tudo que foi considerado aqui, a criação dos créditos de carbono tem papel relevante na
conscientização dos países, em suas diversas realidades, mas não será suficiente se não houver o envolvimento de todos os participantes dessa discussão. É fundamental que se envolvam
governantes, empresários, cientistas, estudantes, professores, pais, profissionais de todas as áreas do conhecimento, enfim, uma sociedade que seja capaz de discutir
como mudar o rumo dessa estória. Desenvolvimento Sustentável Você já deve ter ouvido falar que o mundo precisa de ações voltadas ao desenvolvimento sustentável. Mas afinal de contas, o que essa expressão significa? Para que seja possível compreender essa ideia tão difundida e comentada na atualidade é preciso explicar o significado da palavra sustentável. Dizemos que um sistema é sustentável quando pode permanecer indefinidamente, sem esgotar os recursos energéticos ou materiais necessários para que ele funcione. Em outras palavras o conceito de sustentabilidade está relacionado à capacidade de qualquer sistema de se recompor para continuar funcionando plenamente. Podemos aqui dar como exemplo uma floresta com suas árvores, animais, solo, microrganismos, rios, rochas e tudo que faz parte desse sistema. Se cortarmos as árvores de forma contínua e não planejada, além de alterar a capacidade de regeneração da floresta, fatalmente ela vai deixar de existir. Desta forma, desenvolvimento sustentável é a forma inteligente de utilizar os recursos naturais do nosso planeta, visando o crescimento e desenvolvimento humano e a melhoria da qualidade de vida, sem que faltem recursos para as gerações futuras e sem fazer com que a natureza entre em um desequilíbrio ainda maior. Imagine que você tem em sua casa um cajueiro. Basta tirar um caju, que outros
dois nascem. Certo dia, todos os seus amigos aparecem para pegar as frutas também. Resolvem subir na árvore para colher mais. Constroem um piso de cerâmica ao redor para não pisar na terra fofa. Impermeabilizam o solo. Quebram seus galhos. Jogam veneno para matar as abelhas que polinizam as flores do cajueiro, pois elas são desagradáveis. A árvore quase morre - e para de dar frutos. Mas isso não importa, pois outros cajueiros existem e vão servir da mesma forma para serem abandonados depois. Essa história ilustra o que acontece com a natureza nos dias de hoje. Fazendo uma analogia podemos dizer que desenvolvimento sustentável é o nome que se dá quando você colhe o caju, mas respeita a árvore e dá o tempo necessário para que ela possa se refazer e produzir mais frutos outra vez. O mesmo se aplica a todos os outros recursos naturais da Terra. Devemos usálos com sabedoria, dando tempo à natureza para se recompor, não porque somos bons ou responsáveis pelo planeta, mas porque fazemos parte desse complexo sistema e precisamos sobreviver e perpetuar nossa espécie, que depende de uma enorme quantidade de fatores para existir! Os seres humanos durante muitos anos, utilizaram os recursos naturais como se fossem inesgotáveis. Mas, ao contrário do que sempre ouvimos, os benefícios da natureza, como a água e o solo são finitos e podem se esgotar, assim como os cajus do cajueiro. Todos os dias escutamos nos meios de comunicação notícias que informam sobre problemas relacionados à falta de água e de alimento. Em muitas regiões a água é considerada um recurso precioso por ser escassa, e se o cenário não mudar esse líquido poderá ser motivo de guerras entre países em um futuro próximo. O desenvolvimento sustentável pode ser comparado a uma “poupança da natureza”, ou seja, retira-se certa quantidade de recursos naturais, mas se deixa uma quantia suficiente para “render”. De forma simples, podemos dizer que é uma nova forma de pensar o que é se desenvolver, pois de que adianta ser um país desenvolvido, se os recursos básicos como o ar que respiramos, a água que nos faz vivos, ou os alimentos que ingerimos estiverem escassos ou contaminados? Apesar de parecer complicado, diversas ações, como a coleta seletiva de lixo, a economia de água, a instituição de leis ambientais efetivas, a fiscalização por parte
da sociedade de atos incompatíveis com a saúde do planeta, podem resultar em sustentabilidade, e cada um de nós pode colocá-las em prática. O desenvolvimento sustentável pode ser dividido em seis aspectos principais que têm a finalidade de: • Dar educação, saúde, alimentação e lazer para a população.
• Preservar o meio ambiente, para que as futuras gerações tenham condições de viver.
• Estimular a participação das pessoas na conservação do meio ambiente.
• Conservar alguns recursos naturais, como a água, as florestas e o oxigênio.
• Diminuir o preconceito, a tortura com os índios, e a miséria.
• Criar programas educativos.
O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu com o intuito de definir estratégias mundiais para a conservação da natureza. E para isso era necessário, e ainda é, levar os indivíduos a pensar e agir, para preparar um mundo cheio de desafios pela frente. A origem do conceito de sustentabilidade remonta ao ano de 1987, quando a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, no famoso relatório Brundtland, discute o futuro comum dos habitantes da Terra. Também na ECO-92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e De57 senvolvimento, ocorrida no Rio de Janeiro, a sustentabilidade se tornou princípio fundamental e parâmetro para a Agenda 21. Em 2002, Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, chamada também de Rio+10, que aconteceu em Johanesburgo, amplia as discussões encima dos três eixos da sustentabilidade: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental, entendendo que esses fatores são interdependentes e caminham lado a lado, de forma homogênea. O tripé da sustentabilidade ficou também conhecido como os 3 Ps, que significam People, Planet and Proift. Em português, denomina-se PPL e corresponde à pessoas, planeta e lucro. O conceito de sustentabilidade pode ser aplicado para um país ou para o próprio planeta, mas também para o seu bairro ou sua casa. Aqui surge uma questão fundamental: o desenvolvimento econômico é vital para os países mais pobres, mas o caminho a seguir não pode ser o mesmo adotado pelos países desenvolvidos, pois caso os países em desenvolvimento busquem os padrões das sociedades mais desenvolvidas, o consumo de combustíveis fósseis aumentaria 10 vezes e a utilização de recursos minerais, 200 vezes. A educação para uma vida sustentável tem como
principal papel o desenvolvimento da consciência ambiental, pois a humanidade tem interferido continuamente no espaço natural e geográfico, alterando o solo, a vegetação, o curso natural de rios, o relevo, o clima, etc., para construir fábricas, cultivar terras, instalar habitações, o que tem levado a enormes prejuízos ambientais. Resumidamente o desenvolvimento sustentável prevê um modelo de desenvolvimento em um mundo que se sustenta, ou seja, que leva em conta não só o fator econômico, mas também a melhoria de vida das pessoas e o respeito ao meio ambiente.
A ideia desse modelo é utilizar os recursos da natureza sem destruí-la, respeitando sua capacidade de suporte, para que tudo que podemos usufruir hoje continue existindo para as gerações futuras, como a água, as plantas, etc. Mais do que isso, é muito importante refletir sobre o significado da palavra desenvolvimento, pois de nada adianta um crescimento irresponsável, que não leva em consideração na sua economia o valor dos bens ambientais. Lembre-se precisamos dos recursos naturais para garantir a permanência da nossa espécie nesse planeta! A participação das empresas nesse processo A participação das empresas no desenvolvimento sustentável é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo. As empresas que pensam nisso são responsáveis e contribuem para a prosperidade econômica, a qualidade ambiental e o capital social. A responsabilidade social por parte das empresas é um conceito bastante difundido, principalmente nos países desenvolvidos, devido às exigências dos consumidores, da sociedade, mas principalmente pela existência de leis e regras comerciais que exigem o respeito ao meio ambiente, através da produção de artefatos mais seguros, menos nocivos à natureza, assim como o cumprimento de normas trabalhistas em todos os locais de produção e em toda a cadeia produtiva. A responsabilidade social é fundamental para a sustentabilidade das organizações e traz vários benefícios para as empresas. Por isso, algumas delas têm investido na aplicação dos princípios da chamada eco-eficiência, que visa melhorar a utilização dos recursos e a redução dos prejuízos e custos ambientais. Dentre as vantagens econômicas diretas e indiretas, podemos destacar: • A produção de menos resíduos
• O cumprimento de regras de ética social e de cuidados ambientais na promoção dos seus produtos como fator de concorrência.
• A transmissão de confiança ao consumidor divulgando voluntariamente o seu desempenho
ambiental. As empresas que praticam o desenvolvimento sustentável têm a tendência a crescer, por meio de propagandas que ressaltam a responsabilidade ambiental e agradam ao público em geral. Desta forma, a responsabilidade social empresarial se constitui um elemento importante para o desenvolvimento dos negócios, estabelecendo relações positivas com todas as partes interessadas. Isso determina, não somente uma tendência à adoção de novas posturas em relação às questões éticas, mas também uma melhor qualidade da relação empresa-sociedade. A Agenda 21 é um plano de ação que visa alcançar os objetivos do desenvolvimento sustentável, resultante da consolidação de relatórios, protocolos e outros documentos, durante vários anos. Podemos dizer que o objetivo principal da Agenda 21 é o
de promover o desenvolvimento sustentável.
É um documento bastante interessante, pois contou com a participação de todos os envolvidos e seu principal objetivo é a elaboração e implantação de ações orientadas para o desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 foi construída conjuntamente por 179 países, com a participação de governos e instituições da sociedade, num processo que durou dois anos e terminou com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), em 1992, no Rio de Janeiro, também conhecida por ECO-92, embora em seu texto estejam incluidos temas abordados encontros como as convenções sobre Biodiversidade e Mudanças Climáticas. Além da Agenda 21, resultaram desse processo quatro outros acordos:
• Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.
• Declaração de Princípios sobre o uso das florestas.
• Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica.
• Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
A Agenda 21 está voltada para os problemas atuais e tem por objetivo preparar o mundo para os desafios do próximo século. Seu texto reflete o compromisso com o desenvolvimento
e o respeito ao meio ambiente pautado na cooperação. Para alcançar seu objetivo conta com a efetiva participação dos governos, seus planos e políticas públicas, pensados e executados de acordo com as diretrizes traçadas pelas Nações Unidas. Agenda 21 brasileira A Agenda 21 Brasileira é um instrumento resultante de ampla consulta à população voltado ao desenvolvimento sustentável, que busca compatibilizar a conservação ambiental, a justiça social e o crescimento econômico. Esse documento foi construído a partir das diretrizes da Agenda 21 global e representa instrumento fundamental para a construção da democracia ativa e da cidadania participativa no país. A construção da Agenda 21 Brasileira se deu de 1996 a 2002 e foi coordenada pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional (CPDS), processo que envolveu cerca de 40.000 pessoas de todo o Brasil. O documento Agenda 21 Brasileira foi concluído em 2002 e a partir de 2003, entrou
na fase de implementação e foi elevada à condição de Programa do Plano Plurianual
(PPA 2004-2007), adquirindo força política e institucional. A Agenda 21 Brasileira tem enorme importância para a construção do Brasil Sustentável e está de acordo com as diretrizes ambientais: transversalidade, desenvolvimento sustentável, fortalecimento do Sisnama e participação social adotando para isso referenciais importantes como a Carta da Terra.
Agenda 21 Local
A Agenda 21 Local serve para alcançar os objetivos propostos na Agenda 21 Nacional
publicada no ano de 2002, com o intuito de tornar os Municípios e as localidades mais humanas e saudáveis. Permite a organização da comunidade, que tem a possibilidade de aprender, discutir, identificar suas potencialidades e dificuldades e ainda, propor soluções que resultem em uma vida melhor. A construção da Agenda 21 Local não é uma tarefa única do poder público, mas uma responsabilidade de toda a sociedade, que se traduz no compromisso de cada cidadão com a qualidade de vida do seu bairro, da sua cidade, e do planeta. É através da participação efetiva da sociedade que desafios serão enfrentados e superados, para que o desenvolvimento local seja atingido responsavelmente. Para isso, as cidades têm a responsabilidade de implementar as Agendas 21 Locais, através de um processo participativo voltado para a elaboração de um plano de ação para o desenvolvimento sustentável de cada Município. O Estado do Ceará criou em 19 de agosto de 2005, o seu Programa Agenda 21,
através do Decreto Nº 50/2005, que estabelece em seu primeiro artigo: “Fica criado, no âmbito do Estado do Ceará, o Programa Agenda 21, com o objetivo de facilitar as ações necessárias às políticas públicas voltadas para a implementação do desenvolvimento sustentável no Estado do Ceará, por meio de um processo participativo e contínuo.” O Ceará e as Mudanças Climáticas Mudanças climáticas: sinais no Nordeste. Como avaliar a dimensão das mudanças climáticas e os impactos que terão na paisagem e na vida? Uma das formas é identificar processos que confirmem essas alterações. No Nordeste, alguns indicadores estão sendo estudados no rio Jaguaribe e no litoral. A busca por variações de características da paisagem – ou ‘indicadores’ – que possam confirmar a ocorrência das mudanças climáticas globais é um passo essencial para definir, caracterizar e quantificar as consequências desse fenômeno sobre
o meio ambiente. Esses indicadores permitirão avaliar a vulnerabilidade dos ecossistemas naturais às alterações do clima e o efeito sobre atividades humanas que dependem da integridade desses sistemas. Assim, será possível elaborar modelos capazes de prever as transformações vividas pelo planeta e sugerir as necessárias adaptações. Indicadores significativos têm sido identificados e estudados em várias partes do mundo, em particular em áreas extremas, como regiões polares e altas cadeias de montanhas. Entre eles estão a velocidade do desaparecimento de geleiras e calotas polares, a diminuição dos mantos de gelo da Groenlândia e da Antártida e variações de temperatura na atmosfera e nos oceanos.
Alterações na distribuição de espécies sensíveis, e mesmo sua extinção, também têm sido relacionadas às mudanças climáticas. O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), de 2007, traz muitos exemplos. No entanto, apesar da variedade de biomas e ecossistemas e da imensa biodiversidade brasileira, dados consistentes sobre indicadores de mudanças do clima no Brasil ainda são escassas.
Interface continente-oceano As áreas de interface entre diferentes ecossistemas, chamadas de ecótonos, estão entre as mais suscetíveis aos efeitos das alterações climáticas globais. Uma das que reagem com maior rapidez a essas mudanças é a interface continente-oceano, já
que suas características dependem de diversos fatores afetados pelo clima, em particular
a elevação do nível do mar e as variações do fluxo dos rios (devidas ao regime de chuvas), que influenciam a estabilidade da costa e o equilíbrio entre erosão e sedimentação. O reconhecimento da importância dessas áreas para entender como ambientes locais são afetados pelas mudanças do clima levou o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Transferência de Materiais Continente-Oceano, projeto sediado na Universidade Federal do Ceará (UFC), a realizar estudos para identificar, caracterizar e quantificar indicadores desses impactos.
Estudo recente sobre a erosão e o aporte de sedimentos (progradação) na linha de costa no litoral brasileiro, patrocinado pelo Ministério do Meio Ambiente, sugeriu o litoral do semiárido, no Nordeste, como particularmente vulnerável às mudanças do clima. A pequena vazão dos rios do semiárido reduz a descarga de sedimentos no mar e facilita a erosão costeira. Os efeitos dessa característica natural são reforçados pela redução do volume de chuvas registrada nas últimas décadas na região, prevista em relatórios do IPCC e recentemente confirmada por estudos da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme). Além disso, a construção de barragens reduz ainda mais a vazão desses rios. Esses processos alteram a capacidade de transportar sedimentos dos rios e dos ventos e as características das calhas fluviais, o que afeta a linha de costa, e por isso podem ser relacionadas às mudanças climáticas. Três indicadores decorrentes dessas alterações vêm sendo pesquisados pela equipe do projeto: i) deslocamento de dunas de areia, ii) formação de ilhas e alargamento de praias fluviais (que resultam no aumento da área de manguezais) e iii) variação da linha de costa. Imagens de satélite e estudos de campo permitiram modelar como esses indicadores variaram nos últimos 40 anos, quando as mudanças climáticas globais supostamente se intensificaram.
Síntese do Fascículo
Neste fascículo, apresentamos inicialmente alguns conceitos relacionados ao clima, os principais fatores climáticos, os tipos de clima, o sistema climático da terra e as mudanças climáticas com suas consequências para o nosso planeta. Na sequência, tratamos do efeito estufa, que é consequência direta da atividade humana e um dos principais fatores de alteração climática, estando diretamente relacionado ao processo de aquecimento global. Desta forma, o papel do CO2 e dos demais gases causadores do efeito estufa, bem como a origem dos mesmos, tem espaço destacado neste tópico do fascículo. Posteriormente, descrevemos o processo de aquecimento global, com suas causas e consequências para o nosso mundo com a série de impactos que podem ser previstos por analistas. Nos tópicos seguintes discorremos sobre os principais encontros, agendas e conferências realizadas para discutir o problema do aquecimento global e as mudanças climáticas, como as diversas Conferências das Nações
Unidas sobre Mudança do Clima, com destaque para a COP 15 que juntamente com o protocolo de Kyoto e a Agenda 21 estão entre as principais iniciativas para discutir o problema e propor soluções eficazes. A partir dos resultados desses encontros e conferências passamos a discutir os créditos de carbono detalhando o seu conceito e a relação com as empresas e o mercado de carbono. Finalmente, é apresentado o conceito de desenvolvimento
sustentável com todas as suas implicações, desafios e benefícios para a sociedade como um todo, destacando os fatores econômicos e empresariais, a melhoria da vida das pessoas e o respeito ao meio ambiente. Ressaltamos que a ideia desse modelo de desenvolvimento é utilizar os recursos existentes na natureza sem destruir ou esgotar, para que tudo que estamos podendo usufruir hoje continue existindo para as gerações futuras.
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http://www.educacional.com.br/noticiacomentada/050601not01.asp
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/amazonia/
http://www.mma.gov.br/estruturas/imprensa/_arquivos/livro%20completo.pdf
Expediente
Presidente Luciana Dummar | Coordenação da Universidade Aberta do Nordeste Sérgio Falcão
Coordenação do Curso Eliseu Marlônio Pereira de Lucena | Coordenação Editorial Eloísa Vidal
Coordenação Acadêmico-Administrativa Ana Paula Costa Salmin | Coordenação Técnica CARE
Brasil | Markus Brose e Juliana Russar | Editor de Design Deglaucy Jorge Teixeira | Projeto Gráfico,
Ilustrações e Capas Suzana Paz | Editoração Eletrônica Mikael Baima, Welton Travassos | Mapas
Welton Travassos | Revisão Wilson Pereira da Silva | Catalogação na Fonte Ana Kelly Pereira